Conexão com cavalo usando neurônios espelho

Desde 20 anos atrás, quando comecei a trabalhar conscientemente na filosofia do Horsemanship (relacionamento entre Homem e Cavalo do ponto de vista, tempo e linguagem do cavalo) , estudei com ótimas referências e delas sempre ouvi que cavalos espelham o cavaleiro, ou quem maneja.

Entendi que cavalos aprendem no alívio da pressão e não submetidos à ela todo o tempo, vivenciei que ninguém controla um cavalo (desde que ele não queira), que violência além de crime nada resolve de modo consistente, que devemos jogar o verbo controlar no lixo quando queremos lidar com cavalos e trocá-lo pelo verbo comunicar. Verbos indicam a ação! Nossa ação então muda de tom e de paradigma.

O que quero comunicar, como quero comunicar? Quando me comunico com o cavalo de modo correto, obtenho dele as respostas esperadas?

Ao longo do tempo fomos refinando essa abordagem, obtendo resultados incríveis desde o imprinting genômico de potros recém-nascidos, na escolarização (doma) e no trabalho regular. Sempre fixamos que aqui trabalhamos com base em confiança e cooperação.

A pesquisa constante, a observação das respostas, junto com a prática do trabalho montado nos levaram a conhecer estruturas neurais, chamadas neurônios espelho, identificadas em diferentes espécies e que se caracterizam por promover respostas imitativas de comportamentos, entre humanos, a empatia,  e muito dessa comunicação passa por linguagem corporal, estado de relaxamento x tensão, autoconhecimento, uma abordagem de igual para igual, garantindo ausência de adrenalina, já que sabemos o cavalo tem um olfato refinado e um desenvolvida memória olfativa (cheiros importam demais).

Avançamos na compreensão de que ajuda de rédeas equivale a 10% de um bom trabalho montado, que pernas e ação do quadril representam 90% … com isso retiramos há alguns anos embocaduras de diversos cavalos aqui, e onde fica evidente que a maioria das ajudas são mais úteis para o conforto psíquico do cavaleiro/amazona, do que para o cavalo em si, e recentemente começamos a experimentar uma equitação natural, sem selas, sem embocaduras e sem rédeas. 

É explosivo aos nossos olhos, como desse modo, os cavalos falam muito mais alto sobre como estamos, sobre nossa energia quando retiramos as ferramentas de controle e precisamos mergulhar para dentro de nós, tratar de cuidar da respiração, ter consciência da postura e passo seguinte, inevitável caminhar em direção à neurociência, porque sim, ela explica as bases desse novo estágio de comunicação que podemos chamar de neural entre nós e os cavalos.

O que são os neurônios espelho?

Os neurônios espelho são um grupo de células que foram descobertas pela equipe do neurobiólogo Giacomo Rizzolatti, e que parecem estar relacionadas com os comportamentos empáticos, sociais e os imitativos. Sua missão é refletir a atividade que nós estamos observando, ou realizando.

Após a realização de diversos estudos, comprovou-se que existe um grupo de células que se ativa no cérebro quando um animal ou um ser humano realiza uma atividade, e quando observa outros executarem uma ação, tendo uma representação mental da mesma. Daí vem a razão para utilizar a palavra “espelho”.

Um neurônio espelho, portanto, é uma célula nervosa que se ativa em duas situações:

1. Ao executar uma ação;

2. Ao observar alguém executar uma ação.

Em relação à segunda situação, o que acontece é que o neurônio reproduz a mesma atividade neural correspondente à ação percebida, mas sem realizar o comportamento de maneira externa, correspondendo a uma representação mental da ação. Ou seja, aquilo que se mobiliza é uma resposta neuronal refletida no cérebro.

Onde se Localizam os Neurônios espelho

Em humanos estas células se encontram localizadas no córtex frontal inferior do cérebro, perto da área da linguagem, permitindo aos especialistas estudarem a relação existente entre a linguagem e a imitação de gestos e sons.

Além disso, os neurônios espelho desempenham um papel fundamental na psicologia, relacionado à parte comportamental, como é o caso da empatia, do aprendizado por imitação, do comportamento de ajuda para com os demais, etc., demonstrando mais uma vez que nós somos seres sociais, inclusive em nossa atividade com outras espécies como os Equinos, no convívio, treinamento, trabalho  e esportes equestres.

Isso acontece porque, quando vemos alguém fazendo algo, automaticamente simulamos a ação no cérebro, é como se nós mesmos estivéssemos realizando aquele gesto. Isso quer dizer que o cérebro funciona como um “simulador de ação”: ensaiamos ou imitamos mentalmente toda ação que observamos.

Os neurônios-espelhos (Neuron Mirror) também são denominados de neurônios viso-motores. Estas células, são ativadas pela execução de uma ação simples, que seja direcionada a objetivos e que respondem igualmente bem à própria mão ou a outra pessoa – permitindo entender a base neural. O lóbulo parietal superior, o lóbulo parietal inferior e a parte dorsal do córtex pré-motor.

Quem descobriu os neurônios espelho

Giacomo Rizzolatti da Universidade de Parma

Os neurônios-espelho foram descobertos casualmente pela equipe do neurocientista Giacomo Rizzolatti, ( leia mais em https://www.ae-info.org/ae/Member/Rizzolatti_Giacomo) da Universidade de Parma, na Itália. O grupo colocou eletrodos na cabeça de um macaco, um aparato que permitia acompanhar a atividade dos neurônios na região do cérebro responsável pelos movimentos através de um monitor. Cada vez que o macaco cumpria uma tarefa, como apanhar uvas-passa com os dedos, neurônios no córtex pré-motor, nos lobos frontais, disparavam. Quando um aluno entrou no laboratório e levou um sorvete à boca, o monitor apitou (foi uma surpresa para os cientistas, porque o macaco estava imóvel). O mais intrigante é que sempre que o macaco assistia o experimentador ou outro macaco repetir essa cena com outros alimentos os neurônios disparavam.

“OS NEURÔNIOS-ESPELHO MUDARAM O MODO COMO VEMOS O CÉREBRO E A NÓS MESMOS, E TÊM SIDO CONSIDERADO UM DOS ACHADOS MAIS IMPORTANTES SOBRE A EVOLUÇÃO DO CÉREBRO HUMANO”

Mais tarde, exames de neuroimagem mostraram que nossa capacidade de ‘espelhamento’ nos permite compartilhar uma esfera comum de ação com os outros, dentro do qual cada ato motor ou cadeia de atos motores, sejam eles nossos ou dos demais, são imediatamente detectados e intencionalmente compreendidos antes e independentemente de qualquer mentalização”, observa Rizzolati.

Mais tarde a equipe do neurocientista Giovanni Buccino, da mesma Universidade de Parma, usou Ressonância Magnética Funcional (RMF) para medir a atividade cerebral de voluntários enquanto eles assistiam a um vídeo que mostrava sequências de movimentos de boca, mãos e pés. Dependendo da parte do corpo que aparecia na tela, o córtex motor dos observadores se ativava com maior intensidade na região que correspondia à parte do corpo em questão, ainda que eles se mantivessem absolutamente imóveis. Ou seja, o cérebro associa a visão de movimentos alheios ao planejamento de seus próprios movimentos.

“O cérebro é um órgão biológico complexo que possui uma imensa capacidade computacional: ele constrói nossa experiência sensorial, regula nossos pensamentos e emoções e controla nossas ações.”

Eric Kandel – Neurocientista Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina

Da minha observação no trabalho diário com cavalos, constatei que montando o mesmo cavalo e solicitando sempre do mesmo modo, quando montado a pelo e sem embocadura, o cavalo começou a se antecipar à solicitação como que sabendo qual seria o próximo passo. Quando montado com outro nível de energia ou solicitando de modo diferente as respostas mudam, podendo inclusive ir em direção a respostas de fuga-defesa, ainda eu no mesmo ambiente e com o mesmo cavaleiro.

Muitas pesquisas envolvendo os Neurônios Espelho foram realizadas desde a segunda metade dos anos 90, e até hoje, trata-se de uma das áreas da neurociência mais estudadas. Você pode estar se perguntando, qual o papel dessas células? Por que tal descoberta foi tão relevante? Bom, foi a primeira evidência mostrando que o cérebro possuía diversas células especializadas em “imitar” ou “espelhar” o comportamento do outro. Por isso, os neurônios espelho são entendidos hoje como a base fisiológica por trás de nossa capacidade de entender o comportamento, atitudes e emoções das outras pessoas, sendo fundamental para processos de aprendizado, empatia e nossas interações sociais.

Acontece que possuímos um subconjunto de neurônios espelho que reconhece expressões por exemplo, o sorriso, e recentemente pesquisas em Universidades da Europa e EUA, concluíram que os cavalos também tem essa condição, de ler a expressão facial de quem se aproxima e correlacionar essas expressões com emoções.

“Nosso conhecimento do motor e a nossa capacidade de ‘espelhamento’ nos permite compartilhar uma esfera comum de ação com os outros, dentro do qual cada ato motor ou cadeia de atos motores, sejam eles nossos ou dos demais, são imediatamente detectados e intencionalmente compreendidos antes e independentemente de qualquer mentalização”, Giacomo Rizzolati, Neurofisiologista Italiano.

Em pesquisas posteriores, ficou evidenciado que em nós, estes neurônios são ativados quando imitamos algo ou alguém, complementamos ações ou quando apenas, e tão simplesmente, imaginamo-nos realizando estas mesmas ações (prova do poder de uma mente imaginativa – Teoria do dr. Bob Deutsch).

Novos estudos do cérebro mostram que o líder pode melhorar o desempenho do grupo se entender a biologia da empatia. Entre equinos isso pode explicar o comportamento de “amadrinhamento” com a égua alfa, ou ainda o amadrinhamento com cavalos em quem eles confiam.

O neurocientista DANIEL COLLEMAN, autor do livro Inteligência Emocional (editado em 1995), publicou nestas páginas seu primeiro artigo sobre inteligência emocional e liderança.

Posteriormente cientistas descobriram que a dinâmica “líder-seguidor” não se resume a dois (ou mais) cérebros isolados reagindo de forma consciente ou inconsciente um ao outro. De certa forma, o que ocorre, antes, é uma fusão dessas mentes num único sistema. A nosso ver, um grande líder é aquele cujo comportamento explora magnificamente esse sistema de interconexão cerebral.

Quem já observou o comportamento de manadas de equinos a campo, consegue traçar uma série de indicadores a respeito do perfil e da natureza da liderança da égua alfa, como ela se manifesta, em que situações, como ela une, organiza, protege o grupo e coloca limites internamente.

Seguidor literalmente espelha o líder

Há evidências de que o cérebro está salpicado de neurônios que imitam, ou espelham, gestos de outros seres. Essa categoria de célula cerebral, até então desconhecida, age como um “Wi-Fi neural”, permitindo que a pessoa se oriente em seu mundo social. Ao captarmos — de modo consciente ou inconsciente — os sentimentos do outro através de seus gestos, nossos neurônios-espelho reproduzem tais sentimentos. Juntos, esses neurônios podem gerar uma sensação instantânea de experiência compartilhada.

Para onde vc olha vc dirige o cavalo

Tanto quando os treinamos do chão (trabalho de baixo ou de solo), quando quando estamos montados, está comprovado que o cavalo sabe para onde olhamos e capta essa informação junto com outras da linguagem corporal como indicador da direção a seguir. Já vi na abordagem do gado sem estresse (stockmanship) que em um curral, o líder fixa o olhar no boi que primeiro faz contato visual com ele e para onde ele olha, esse mesmo boi se dirige e a partir daí leva o rebando em movimento coordenado. Sem um som, sem toque, sem violência, sem fuga, sem estresse.

Quando nos aprofundamos no conhecimento das neurociências e os aplicamos no cotidiano com cavalos, de modo organizado e consciente, com certeza os conjuntos atingirão outro patamar.

A evolução do Horsemanship , passa pelo refinamento desta comunicação, do conhecimento da fisiologia cerebral do cavalo, permitindo que esta relação entre indivíduos de espécies diferentes evolua  com alegria, segurança, confiança e sutileza, sem perda da qualidade atlética, do desempenho ou resultados.“(JLJ)

Em breve este artigo continua numa segunda parte onde quero tratar de apresentar um método para construir essa abordagem com nossos parceiros milenares

Referências Bibliográficas:

Rafael Colombo – no site www.vitallogy.com

Profissional de Educação Física CONFEF- Mestrado e Doutorado em Fisiologia, título obtido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas

José Roberto Marques coaching na página do blog https://www.jrmcoaching.com.br/blog/neuronios-espelho/

Giacomo Rizzolatti – da página Academia Européia https://www.ae-info.org/ae/Member/Rizzolatti_Giacomo

1975 – Professor Associado de Fisiologia Humana, Universidade de Parma

1975-1980 Professor de Fisiologia Humana, Universidade de Parma

1980-1981 Professor Visitante, Departamento de Anatomia, Universidade da Pensilvânia, Filadélfia, EUA,

desde 1981 professor de fisiologia humana da Universidade de Parma

O caminho da mente de seu cavalo é incrível

Uma das minhas principais referências no Horsemaship foi e ainda é Tom Dorrance e tudo o que ele dizia e fez. Além dele, e de seu irmão Bill, me referencio em Ray Hunt (que iniciou mais de 10 mil potros, como que vivenciando as experiências junto e do ponto de vista deles), Buck Branaman, um dos mais inspiradores e no Brasil, Eduardo Borba. Estudei muito os ensinamentos de Tom Dorrance e seu livro True Horsemanship Trough Feel é sem dúvida um guia para a vida com cavalos.

Ele disse algo no sentido como “as pessoas deveriam ser obrigadas a liderar seu cavalo apenas por um fio”. Eu acho que se as pessoas tivessem que fazer isso, elas perceberiam que é sobre comunicação, não sobre controle. E nos nossos cursos, na segunda aula, quando falo de embocaduras e rédeas, vejo que a grande maioria das pessoas associa essa ajuda a -“como faço para controlar melhor o meu cavalo ?”

E eu respondo entenda como o cavalo aprende e como ele se comunica conosco todo o tempo. Monte melhor. Monte com o corpo (90% assento-quadril e pernas) e (10% é sobre rédeas), monte com a mente e com o espírito.

Basta para elas perceberem que falamos todo o tempo sobre comunicação com o cavalo, baseando todas as ações em sentir o que eles sentem, ver o mundo como eles vêem e em cima de solicitação e alívio no exato instante que “te perguntam” : – é isso que vc está pedindo? E ao aliviar vc responde sim, é disso que estou falando.

E toda a relação com eles passa a se construir em cima de confiança e cooperação em vez de medo, dor e submissão.

O que você está conseguindo oferecer ao cavalo? O que você está conseguindo sentir quando trabalha ou se diverte com ele? E elas passam a se concentrar mais no que dão ao cavalo do que no cavalo em si. Muita gente monta e fica olhando a nuca do cavalo, esquecendo que os olhos dele são laterais e ele está te vendo e passa a desconfiar de suas reais intenções (controle) e não, não é apenas sobre quantas coisas você pode dar para “fingir” que você tem um relacionamento.

A maior importância deve estar em preservar o espírito dos cavalos, ensinava Tom Dorrance. Quantas vezes, em diferentes escolas equestres vemos desde a iniciação do potro, “domadores” falando e fazendo coisas para “quebrar o espírito deles”?

Os verdadeiros relacionamentos significativos são construídos sobre o que você contribui para o espírito e a sensação de bem-estar dos outros. Então, assim como um relacionamento com outro humano ou uma criança, por exemplo, na vida escolar dela, existem muitas vezes, o reforço negativo, o reforço positivo, ensino, aprendendo um com o outro, comunicação, respeito, simplesmente ser e experimentar um pelo outro , passando por boas e más experiências juntos e aprendendo com eles. 

Foi por essa razão, que meu segundo livro teve como título “Aprendendo com o Cavalo-Você pergunta e ele ensina”.

Pense agora sobre outros relacionamentos, porque é isso que você está criando com o seu cavalo. Eles são seres senscientes; tem pensamentos, sentimentos, mente e espírito. Respeite-os nisso …

O que realmente importa é o que o cavalo realmente sente e percebe sobre quais são nossas intenções e emoções por trás do que estamos fazendo. Não é sobre o que se fala, mas sobre o que se faz. E comunicamos isso a eles, muitas vezes, inconscientemente, pelo cheiro de adrenalina que exalamos e eles sentem – o cheiro do perigo que está gravado em sua memória ancestral, você quer controlar o cavalo e exala o cheiro da onça quando o ataca. Isso desmente todas as boas intenções para ele.

Leve com o seu coração … leia o seu cavalo … Sinta o que ele sente. Isso é mais do que empatia, é respeito pelo ser que te leva onde você propõe; e respeito, do latim res scipiere significa mantenha a devida distância e aqui é traduzido como aceite que ele responda no tempo que ele precisa para confiar em você.  E você será guiado no melhor caminho para a mente do seu cavalo.

Ensinamentos de Tom Dorrance, sempre úteis e vivos, afinal ele é um clássico do Horsemanship

Ajuste-se  para cada situação. 

Observe, lembre-se, compare

Concentração, Coordenação, Reflexos

Influencie a Mente

Crie um caminho de entendimento com eles

Você não ensina nada ao cavalo mas, permite que ele aprenda e você estará aprendendo com eles

Sinais indicativos de lombalgia no seu cavalo

Este artigo é baseado no trabalho de Erica Larson, editora de notícias, e bacharel em jornalismo com uma especialidade em ciência equina da Michigan State University em East Lansing. Uma nativa de Massachusetts, ela cresceu na sela e já se envolveu em uma variedade de disciplinas. O trabalho foi apresentado na Convenção AAEP 2018, comportamento, comportamento & manipulação, cuidados com o cavalo, lesões & claudicação, claudicação, Medicina do esporte, bem-estar e indústria

Indicadores comportamentais de dor em cavalos montados

Seu cavalo pode dar um salto adiante ou acima se um inseto morde, agitar sua cauda se você der um toque com chicote em seus quadris, ou mostrar o branco dos olhos dele, se ele ver um objeto muito assustador. Mas, um pesquisador informou recentemente que, se esses comportamentos se tornarem um hábito, especialmente sem provocação, seu cavalo está provavelmente tentando te dizer que ele está sofrendo.

Daí nos insistimos em que você aprenda a observar seu cavalo, em repouso e naturalmente bem, observando suas expressões faciais, como estão seus músculos, sua atitude geral para quando , depois do trabalho ou montado, você obervar indicações diferentes, isso é uma pista para investigar problemas, como dores.

Em uma série de estudos durante os últimos anos, Sue Dyson, MA, MB de veterinária, PhD, DEO, Dipl ECVSMR, FRCVS, chefe da clínica de Ortopedia de Saúde Animal em um centro para estudos de equinos, em Newmarket, Inglaterra e seus colegas desenvolveram e validadaram um etograma para cavalos montados— ou seja, criaram um catálogo de comportamentos que um cavalo pode exibir sob a sela e o que eles significam. Ela projetou o etograma para ajudar a identificar a baixa qualidade do andamento, a claudicação ou dor em cavalos montados.

Em seu mais recente estudo, Dyson comparou escores de dor e comportamento do cavalo antes e depois do diagnóstico e analgesia (bloqueios dados durante um exame de claudicação) para ver se indivíduos sem formação específica sobre o etograma poderiam usá-lo para reconhecer confiavelmente indicações de dor em cavalos trabalhando sob a sela. Ela compartilhou os resultados em 2018 na Convenção Americana da Associação de Praticantes de Equitação, realizada de 1 a 5 de dezembro em San Francisco, Califórnia.

“Proprietários e treinadores muitas vezes são desatentos em reconhecer a claudicação,” especialmente se é sutil, disse Sue Dyson. “Problemas de desempenho são muitas vezes rotulados como relacionados ao treinamento, comportamental ou ‘apenas é como ele sempre foi.’

“Cavalos estão tentando se comunicar conosco”, acrescentou. “Precisamos aprender a ouvir e ler o que eles nos contam”, é também o que repito aqui no Rancho como um mantra nos ouvidos dos proprietários, tratadores, treinador, Veterniário, Ferrador que nos atendem. É como uma regra de ouro aqui: Aprendam e Ler os Cavalos.

Sue Dyson disse que o etograma original do cavalo montado continha relacionados 117 comportamentos. No estudo atual ela e colegas focaram em 24 comportamentos, identificaram-se como mais estreitamente associados com dor (ver abaixo). Ela disse que a presença de oito ou mais destes marcadores provavelmente reflete a dor músculo-esquelética. Leia as indicações abaixo e confira no seu cavalo antes e depois de montar.

No estudo de Dyson tinha um avaliador treinado em como aplicar o etograma e 10 assessores destreinados (dois estagiários de veterinário, um médico Júnior, cinco técnicos de veterinária e duas enfermeiras veterinárias). Cada um dos assessores assistiu vídeos de 21 cavalos, montados trabalhando em trote e galope em ambas as direções por pilotos profissionais, antes e depois do diagnóstico e analgesia (total de 42 vídeos). Os vídeos foram apresentados em uma ordem aleatória, ela disse.

Eles tinham de aplicar de forma binária um SIM ou Não para cada comportamento e para a presença do comportamento,” acrescentou.
Os cavalos no estudo tinham vários diagnósticos de claudicação unilateral ou bilateral em frente e/ou os membros posteriores, ou com dor sacroilíaca.
Antes de os veterinários administrarem a analgesia diagnóstica, o avaliador treinado identificou de três a 12 (com uma média de 10) Indicadores comportamentais de dor em cavalos montados, Dyson disse.
“Os assessores destreinados também tiveram reduções significativas em indicações de comportamento para todos os cavalos após a resolução da dor,” ela disse.

Além disso, “a redução na pontuação do comportamento verifica uma provável relação causal entre dor e comportamento,” ela disse.
Dyson e seus colegas analisaram também o quanto os avaliladores estavam de acordo — quantas vezes viram independentemente as mesmas conclusões sobre Indicadores comportamentais de cavalo:
• Estavam de Acordo os avaliadores destreinados para cavalos coxos;
• O de Acordo entre o assessor treinado e os avaliadores destreinados para cavalos coxos foi moderado; e
• Após diagnóstico e analgesia, houve um ” de acordo” justo entre os avaliadores destreinados e ligeiramente sem acordo entre os avaliadores destreinados e o avaliador treinado.
Com base nesses resultados, Dyson concluiu que ambos avaliadores treinados e destreinados podem usar o etograma do cavalo montado para identificar a provável presença de dor músculo-esquelética. No entanto, médicos veterinários, proprietários, treinadores e outros que poderão usá-lo requerem educação sobre o uso do etograma para obter melhores resultados, ela disse.